segunda-feira, 25 de abril de 2016

Não sei ser minha

Sou quase tua, quase minha; não sei ser minha. As tuas ausências constantes e permanentes são ataques homicidas ao meu ser. Desespero-me de ti, enquanto espero por ti.
Não sei quantos lábios e corpos já percorri, sempre à procura do teu. Quantas vezes a mesma cama, o mesmo caminho, com cheiros diferentes em almofadas que servem meramente para abafar gritos de saudade que solto, e que por dentro deles apenas exite o teu nome. Já devia saber que nenhum corpo é o teu, que insistir no dos outros, não vai trazer o teu de volta. Que nenhum cheiro, em alguma ocasião será o teu; esse misto do teu cheiro com tabaco e um pouco de ti.
Procuro a segurança de outrora entre orgasmos alheios, sem nunca chegar perto. Anseio o conforto antigo, em camas cheias e tão vazias de ti.

Oh, a nossa cama; a nossa cama nunca teve dois corpos, era um. Em todas as noites o nosso corpo era um só, e só o deixou de ser, quando o procurei nos demais.Vendo a minha alma, prostitua-a em prol de ti. Mas nenhum desses corpos é o teu, nenhum deles és tu, e insisto nesta busca do nosso passado utópico e remoto. E quando tomo consciência, é mais uma cama vazia, mais um corpo que nada me diz. E tu mais longe, cada vez mais e eu mais longe de mim.

Sem comentários:

Enviar um comentário