Sou quase tua, quase minha; não sei ser minha. As tuas
ausências constantes e permanentes são ataques homicidas ao meu ser.
Desespero-me de ti, enquanto espero por ti.
Não sei quantos lábios e corpos já percorri, sempre à
procura do teu. Quantas vezes a mesma cama, o mesmo caminho, com cheiros
diferentes em almofadas que servem meramente para abafar gritos de saudade que
solto, e que por dentro deles apenas exite o teu nome. Já devia saber que nenhum
corpo é o teu, que insistir no dos outros, não vai trazer o teu de volta. Que
nenhum cheiro, em alguma ocasião será o teu; esse misto do teu cheiro com
tabaco e um pouco de ti.
Procuro a segurança de outrora entre orgasmos alheios, sem
nunca chegar perto. Anseio o conforto antigo, em camas cheias e tão vazias de
ti.
Oh, a nossa cama; a nossa cama nunca teve dois corpos, era
um. Em todas as noites o nosso corpo era um só, e só o deixou de ser, quando o procurei nos demais.Vendo a minha alma, prostitua-a em prol de ti. Mas nenhum desses corpos é o teu, nenhum deles és
tu, e insisto nesta busca do nosso passado utópico e remoto. E quando tomo
consciência, é mais uma cama vazia, mais um corpo que nada me diz. E tu mais
longe, cada vez mais e eu mais longe de mim.