Tenho Lisboa aos meus pés. A ti ao meu lado. Que fiz eu para merecer tal recompensa?
Tu... em qualquer beco, perdido e imundo, sem encanto, serias motivo supremo de felicidade. Mas, deste-me Lisboa. Entregaste-a aos meus pés. O céu ganhou cores de baunilha, o horizonte ao longe escurece, enquanto te oiço. O derradeiro desejo concretiza-se. O desejo carnal não sucumbe. Não precisas disso. Não precisamos. Apenas Lisboa a anoitecer aos nossos pés. A conversa flui, sob as luzes da cidade, mais intensas, conversas mais densas.
Mergulha em mim, imploro-te que o faças ! O teu toque eclipsa o brilho de Oliosipon.
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
segunda-feira, 25 de abril de 2016
Não sei ser minha
Sou quase tua, quase minha; não sei ser minha. As tuas
ausências constantes e permanentes são ataques homicidas ao meu ser.
Desespero-me de ti, enquanto espero por ti.
Não sei quantos lábios e corpos já percorri, sempre à
procura do teu. Quantas vezes a mesma cama, o mesmo caminho, com cheiros
diferentes em almofadas que servem meramente para abafar gritos de saudade que
solto, e que por dentro deles apenas exite o teu nome. Já devia saber que nenhum
corpo é o teu, que insistir no dos outros, não vai trazer o teu de volta. Que
nenhum cheiro, em alguma ocasião será o teu; esse misto do teu cheiro com
tabaco e um pouco de ti.
Procuro a segurança de outrora entre orgasmos alheios, sem
nunca chegar perto. Anseio o conforto antigo, em camas cheias e tão vazias de
ti.
Oh, a nossa cama; a nossa cama nunca teve dois corpos, era
um. Em todas as noites o nosso corpo era um só, e só o deixou de ser, quando o procurei nos demais.Vendo a minha alma, prostitua-a em prol de ti. Mas nenhum desses corpos é o teu, nenhum deles és
tu, e insisto nesta busca do nosso passado utópico e remoto. E quando tomo
consciência, é mais uma cama vazia, mais um corpo que nada me diz. E tu mais
longe, cada vez mais e eu mais longe de mim.
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